Estou quase lá. Começo a
sentir-me sufocada com tantas opções que me rodeiam e sinto que não as tenho na
sua totalidade. Sinto que não são as opções que quero escolher, porém não sinto
que exista alguma opção para mim. Começo a pensar seriamente no desespero, não
era ele que eu tinha escolhido quando comecei esta luta, entre eu e eu mesma.
Sinto que não estou a tomar as melhores decisões, que não estou a seguir o
caminho que estava indicado para mim. Não me sinto completa e começo a
questionar se alguma das outras opções que eu descartei me poderiam completar.
Então decidi escrever, porque escrever é a minha única opção para revelar quem
sou e o que pretendo ser para o mundo. Não me identifico com nenhuma área
específica, só sinto uma coisa: sinto que quero marcar a diferença, e não acho
que consiga marcar a diferença num país que me sufoca e me obriga a escolher um
futuro que a partida vai ser o insucesso. Sinto que não sou o tipo de pessoa
para ficar sentada numa mesa a discutir os problemas de uma empresa, ou então
sentada numa secretária à frente do computador a tomar decisões das quais à
partida não revolucionarão o meu futuro nem me revolucionarão a mim, mas o
futuro de alguém ou de algo. Sinto que não me vou sentir completa. Talvez
esteja a dar uma certa indiferença a todas estas questões que se atropelam na
minha mente. Sei que elas existem e que com o passar do tempo, elas vão parar
de existir até me vir obrigada a tomar a ‘’melhor decisão para o meu futuro’’,
que á partida é ser algo que nunca seria se não mostrasse indiferença. Estarei
a desfrutar da minha liberdade de escolher? Não sei, só sei que me sinto
sufocada em todas as vezes que penso na possibilidade de essa resposta ser não.
Estarei a perder o meu tempo que é escasso, visto que a vida se apresenta como
sendo efémera, com algo que não me irá concretizar? Sinto-me condicionada
apesar de toda a liberdade. Sinto que escolho em função das expectativas que o
meu país tem para mim, e isso obriga-me a escolher algo dentro das suas
possibilidades. Já me disseram que poderia ter seguido outro caminho. Que
poderia ser escritora, mas penso sempre comigo ‘’ser escritora como, se não sei
escrever?’’ talvez seja a minha preguiça de aprender que não me tenha deixado
seguir isso. Também poderia ser advogada, mas como se não acredito na protecção
de pessoas que a partida são culpadas? Com que situações me defrontaria? Talvez
com a realidade, e isso assusta-me. E o que acharia eu de ser atriz? Mas como
se o meu país só dá oportunidades a quem tem prestígio? Só me restou um
caminho, que por sinal, é bem contrário a todas estas possibilidades.
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